sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Cadeias são barris de pólvora prestes a estourar

Duas casas penais protagonizaram, há alguns dias, cenas de terror durante dois motins. A revolta e reclamação dos presos eram as mesmas: superlotação. Com capacidade para 120 detentos, uma delas encontrava-se com 180. A outra com 156 vagas, abrigava 395 presos. Um retrato do excesso populacional e quadro atual do sistema carcerário do Estado do Pará, estimado em 12.710 presos.
O motim mais recente ocorreu por volta de 15h30 do sábado, 30 de agosto, no Centro de Triagem Metropolitano I, complexo de Americano, no município de Santa Izabel. Foram sete horas de negociação entre os detentos e representantes da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), direção da unidade e Vara de Execuções Penais.
Em 1995, eram 712 presos no Pará. Hoje são 12.710. É a maior população carcerária do Brasil (Foto: Paula Lourinho/OAB-PA)
Pelo telefone de uma mulher, o DIÁRIO ouviu como é a situação dentro do cárcere. “Aqui cabem apertado 120 presos, mas tem 180 e cada dia chega mais. Denuncie isto ai meu patrão”, gritava o preso de dentro da cela. Após as negociações, os detentos liberaram um agente prisional feito refém. Ainda muito abalado, foi atendido na unidade de saúde carcerária. Em seguida, dois micro-ônibus transferiram 30 presos para outras cadeias públicas.
Já na quinta-feira, 28, no Centro de Recuperação de Castanhal, os detentos tocaram fogo em colchões após falhar a tentativa de assassinato do delinquente conhecido como ‘’Sapo’’, preso por estupro, interno da cela D.
No momento da entrega do café da manhã, um agente prisional foi rendido, feito refém. Os detentos roubaram as chaves. Porém, o agente não tinha a chave da cela D.
Disponível em Diárioonline

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